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18/07/2014

ECLIPSE
Hoje tem eclipse da Lua...
Mas logo hoje?! E a minha serenata?!
A rua vai estar vazia.
Seria ótimo uma Lua normal.
A noite está fresca.
Noite rara.
A cidade dorme.
Eu e o meu violão,
furtivos, bem debaixo
da sacada da casa dela,
que tem dama da noite
embriagada de perfume.
Melhor impossível...
Não fosse a lua competindo
e eu veria meu bem sorrindo.
Lua ingrata. Tanto lhe
cantei em prosa e verso:
os seus encantos,
a tua força magnética,
tuas marés e sortilégios.
As danças em volta
das fogueiras celtas.
A fertilidade incitada
por tua libido prateada
emprenhou donzelas
sem a menor cerimônia.
Não te basta esta doce orgia?
Deixe um pouco de romance
para a minha noite vazia.
Ou então mude o seu quadrante.
Vá fazer sombra noutra praça.
Me basta a rua e a luz do poste.
Se a fase fosse nova,
crescente ou minguante,
eu aqui não estaria
te maldizendo. Rogando praga.
Mas já que é cheia
dê volta e meia.
Se esconda em uma nuvem
passageira, suficiente,
no entanto, para um tostão
de minha voz de serenata,
queira Deus suficiente
para abrir a janela iluminada
pela tua concorrente.
Muito mais bela e atraente
do que a tua cara inconstante.
Tuas fases cambiantes
Tua luz bruxuleante
não são páreo pra donzela
que aponta radiante
escondendo devagar
a tua pálida figura.
Ficamos então assim:
eu fico e você me ignora.
Cadê meu violão?

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