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18/07/2014

Olhando para este homem despojado, sendo ele o Presidente da República Oriental do Uruguai, fica mais fácil acreditar que o homem ainda tem jeito. Quer queira que não, existe uma distância que o separa dos uruguaios comuns. Tanto lá quanto aqui ou em qualquer lugar do mundo, as autoridades estão revestidas da dignidade inerente ao cargo. Este dogma não se aplica a José Mujica. Ele aceita a investidura apenas como uma obrigação de prestação de serviço a seu povo, responsabilidade esta indissociável do cargo que ocupa. Apenas isto. De resto, ele se vê um uruguaio comum e, de fato, ele é comum. É mais um uruguaio. Mas é ai que se estabelece a abissal diferença com a grande maioria dos estadistas mundo afora. Estes, quase sem exceção, assumem ares de cidadãos especiais, acima dos mortais comuns e, não raro, comentem desatinos e desmandos respaldando-se na importância de seus cargos. José Mujica pensa e age diferente. Lá na sua fazenda(acho que ele tem uma), na rua, dentro de um táxi ou coletivo, ele se mistura com o povo. Convive com ele. Esta proximidade faz dele um onbudsman em tempo integral. Esta proximidade cria um vínculo que eu ousaria chamar de camaradagem. Imagine você em um coletivo, sentado ao lado do Presidente da República. No Uruguaia isto é comum. No ônibus ou num táxi. No mínimo um bom dia vai ser dito de parte a parte. Se você for um pouco mais afoito, vai ponderar alguma coisa com o Presidente e até fazer algumas reclamações e solicitar providência para melhorar isto ou aquilo. O Presidente da banda oriental vai lhe dar atenção e até um dedo de prosa. Neste ponto volto à nossa realidade assim como a outras tantas neste mundo sem Deus. Fico imaginando como seria nosso País com um homem deste quilate no comando. Fico cogitando quem se atreveria a aprontar o elenco de bandalheiras cometidas dia a dia, tendo o exemplo de conduta de um José Mujica a lhes frustrar os despautérios, engôdos e tramoias. Enfim, um homem deste porte é improvável no Brasil. Os uruguaios são muito mais letrados do que nós e, com esta vantagem, podem eleger um bom presidente. Elegem até um José Mujica, seguramente bem acima de suas melhores expectativas. Aqui o buraco é mais embaixo e muito mais fundo. A estratégia de nossos governantes é outra. Esculachando a educação, nossos líderes garantem cidadãos ignorantes e submissos. E desse modo estamos fadados a Lulas e congêneres. Desgraça pouca é bobagem!

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