Acabei de ouvir Ricardo Boechat no jornal da Bandnews FM. Boechat retornou ontem de Montivideu onde entrevistou o Presidente da República José Mojica.
Entre outras considerações, o jornalista fala de sua admiração pelo político uruguaio, citando o seu modo de vida espartano e a singeleza de sua casa nos arredores da capital. Cita que José Mujica não tem segurança em sua residência e se admira com a falta de preocupação do presidente com a sua segurança.
Entre outras considerações, Boechat conta que perguntou a José Mujica se ele não teme a crítica de seus(poucos) opositores, quando estes afirmam que ele nada mais faz do que marketing político. José Mujica respondeu com uma pergunta: "se é marketing, o que eu estou ganhando com isso"?
? De fato o que ele lucrou ou lucraria se deixa brevemente o poder e não pode se reeleger porque, no Uruguai, este instituto não é contemplado pela constituição nacional? ?E mais: do que ele se beneficiou durante o seu mandato, andando de ônibus ou táxi, sem comboios e batedores, sem eira nem beira lá no seu cantinho, abrindo mão dos confortos e pompas do Palácio Presidencial?
O conjunto da obra de José Mujica na condução de seu país tem colocado esta pequena nação na vitrine do mundo. Os olhos das nações estão voltados para a o foco de sua administração dirigida para bem-estar e para a felicidade de seu povo.
Em seguida Boechat pondera como seria o mundo, particularmente o Brasil, se os políticos praticassem a austeridade em vez de saírem por aí, por exemplo, em comitivas parelhas com os desfiles dos marajás, com seus elefantes ricamente adornados à frente de não menos ricas e reluzentes comitivas.
Finaliza com ênfase no aspecto falta de segurança de José Mujica, exposto a qualquer maluco de plantão à procura, talvez, de seus 15 minutos de fama(a citação do maluco é minha).
Deste ponto Boechat não faz nenhuma ilação. Mas quero ter a audácia de concluir que a segurança de José Mujica é garantida por sua DIGNIDADE. Esta mesma dignidade repelida por nossos políticos como se peste fora. Enquanto Mujica dorme de janelas e portas abertas, num local relativamente ermo da capital uruguaia, os nossos dirigentes não ousariam botar o nariz para fora da porta sem um forte aparato de segurança. Se tivessem coragem para tanto, seriam escorraçados a pontapés na bunda ou então pendurados no primeiro viaduto disponível, a exemplo do fim de Benito Mussolini.
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