SÓ
Sem Sem você sou uma planície.
Não, um deserto, sede e miragem.
Sou um cachorro sem dono,
triste, só e sarnento.
Rabo entre as pernas.
Cabeça baixa, uivo e lamento.
Sou um velho sentado na varanda
gangorrando as horas no balanço.
Sou uma cidadezinha fantasma
agonizando na poeira e no vento.
Um olhar perdido no nada.
Um vazio, um esquecimento.
Uma estação abandonada.
Um trilho tomado de mato.
Talvez uma trilha no mato.
Uma tarde escaldante
uma mosca vadia
e o zumbido no ar
Eu sem você...
Alguma coisa que se perde
sem saber o que seja,
aonde e porquê.
Uma solteirona soturna
tricotando amarguras.
Um outro destino.
Como se pudesse...
Mas ele tece.
Noite siberiana.
Um uivo pra lua.
Uma matilha gelada.
Enrosco de frio.
Na tundra, no nada.
Um luto e uma negra agonia
Uma lágrima vertente.
Dolorida encosta
Vale de agonia.
Uma criança abandonada.
Um náufrago.
O vento assobiando
na fresta da janela.
Uma tarde chuvosa.
Um hálito no vidro.
Uma música na vitrola
Um conhaque.
Duas doses. Ou mais.
E então ?...
Mirar a porta ?
Tropeçar até a janela?
Cair de joelhas na varanda?
Implorar quieto...
Entrar de novo.
Fechar a porta.
Cair na cama.
Tentar dormir.
Morrer dormindo.
Não, um deserto, sede e miragem.
Sou um cachorro sem dono,
triste, só e sarnento.
Rabo entre as pernas.
Cabeça baixa, uivo e lamento.
Sou um velho sentado na varanda
gangorrando as horas no balanço.
Sou uma cidadezinha fantasma
agonizando na poeira e no vento.
Um olhar perdido no nada.
Um vazio, um esquecimento.
Uma estação abandonada.
Um trilho tomado de mato.
Talvez uma trilha no mato.
Uma tarde escaldante
uma mosca vadia
e o zumbido no ar
Eu sem você...
Alguma coisa que se perde
sem saber o que seja,
aonde e porquê.
Uma solteirona soturna
tricotando amarguras.
Um outro destino.
Como se pudesse...
Mas ele tece.
Noite siberiana.
Um uivo pra lua.
Uma matilha gelada.
Enrosco de frio.
Na tundra, no nada.
Um luto e uma negra agonia
Uma lágrima vertente.
Dolorida encosta
Vale de agonia.
Uma criança abandonada.
Um náufrago.
O vento assobiando
na fresta da janela.
Uma tarde chuvosa.
Um hálito no vidro.
Uma música na vitrola
Um conhaque.
Duas doses. Ou mais.
E então ?...
Mirar a porta ?
Tropeçar até a janela?
Cair de joelhas na varanda?
Implorar quieto...
Entrar de novo.
Fechar a porta.
Cair na cama.
Tentar dormir.
Morrer dormindo.
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