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18/07/2014

VAZIO.
Como dói acordar
e não ter você a meu lado.
Virar o corpo.
A mão tatear o vazio.
Abraçar o travesseiro.
Cheirar os lençóis.
Levantar. Ir ao banheiro.
Olhar fixo o espelho intuitivo
repetindo a cada gesto
que aquele não sou eu.
Sair, viver pelas ruas.
Voltar à noite pra dormir.
Perder o sono.
Todo o abandono
do silêncio.
Olhar o teto.
Virar pro lado.
Rolar na cama.
Não dormir.
Amanhã tudo de novo.
Acordar pra quê?
Onde está você agora?
Decerto em outro cama.
Enquanto em mim derrama
toda a falta de você.
E quando a noite vier,
o que será de mim?
Abraço o travesseiro.
Finjo que durmo.
Finjo que sonho.
E acordo pra você.
Enfim, o que fazer
se o meu leito
é deserto?
Sem sombra
e uma única miragem.
Sem a doce agonia
de te perder.

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