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18/07/2014

ESQUECIMENTO.
Quem sou eu que não me conheço?
Quem é você que me olha e vê
o que eu não sou mais.
Algo me diz que eu te amo.
E se amo nada me falta
porque excede em você.

Quem sou eu agora?
Quem eu fui a tanto tempo?
Não me recordo, exceto o abraço
que me envolve de ternura e pranto.

Estou bem agora, meu neto,
meu filho, minha mãe.
Seja você quem for, é quente
como é quente o sol e prata
como é prata a lua
dos meus amores.

É doce, muito doce o seu olhar
que me olha assim tão meigo.
Mas fico triste sem saber
a quem pertence o gesto
que me distrai a alma.

Sou uma princesa de país distante.
E da janela aguardo o teu sonhar comigo.
Então iremos estrada afora
rumo ao horizonte púrpura
com the end colorido.
Nas asas da canção viajo,
derramando pipoca em teu colo
companheiro e amigo.

Às vezes reconheço você a meu lado.
E o meu sorriso é a identidade
deste amor perdido.
Pena que num instante a névoa
já, já devolva às sombras
o meu nome e a quem foi oferecido.

O sol está se pondo
lá no fim do mundo.
Como é bom ser criança!...
Como é triste a velhice.

Nada importa mais...
Exceto você aqui a meu lado.
Eu sinto a tua mão amiga
mesmo quando não percebo.
Algo me diz que não estou sozinha.
Estou feliz, nada me aborrece,
exceto esta saudade.
Em algum dos meus guardados
deixei o meu coração
aos teus cuidados.

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