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03/07/2014

HOMENAGEM A BUKOVSKY
Sou das noite e dos becos malditos.
Das travessas escuras e aflitas.
Sou do mangue e dos amores pagos.
Gosto do cheiro de perfume barato
e das mulheres nem tanto.
Frequento botecos onde copo é mais
sujo que a minha boca obscena.
Sou um caso perdido.
Uma vida sem remorso.
Minhas veias um esgoto
intransitável.
Não me olhe com esta cara...
É a única que tenho
e o espelho não mente.
Sou o que sou.
Fui parido na sarjeta.
Minha mãe era puta
e o meu pai viciado.
Enquanto você dorme
eu sou da madrugada, do porto,
do puteiro e da vida escrota.
Não rezo e não tenho fé.
Não vacilo e não temo.
Bebo de tudo.
Sou um nada.
Moro numa pensão barata
com muitas baratas e esquecimento.
Durmo no meio-fio e
amanheço de porre de vermouth.
O dia me fere os olhos
como a minha inconsciência.
Sou uma alma perdida.
Uma carcaça podre e entorpecida.
Sou o que me basta.
Não tenho salvação
e nem a quero.
Eu sou o meu inferno
e a minha droga.
Minhas noites não amanhecem.
Sou a noite e os meus descaminhos.
De bar em bar vou passando a vida.
Ganho a minha grana na sinuca
e a minha dor na vida.
Vê se me esquece e vaza...
Tá na hora de cair na cama
e esquecer que existo.
Amanhã tudo volta ao anormal.
Vou fazer a barba no chuveiro.
Tenho um encontro marcado.
Se eu fosse ele não ia.
O que posso oferecer
além de muita pancadaria?
Só entendo de agonia.
E se o errado for o certo?
Então me erra !...
Alguém me disse que eu já era.
Pode ser... mas não importa...
Eu sou torto, um troço...
Alguém tem um cigarro?
Uma guimba?
Sou o que sou...
Alguém há de ser por mim?

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