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04/08/2019

DECEPÇÕES
Estava eu a matutar sobre os presidentes da república, desde que me entendo por gente, lá por volta do meus sete anos (1956).
Recordo-me com nitidez a eleição de Juscelino Kubischeck. Pai, juscelinista de quatro costados acompanhou a apuração pelo rádio - eu a seu lado, garoto esperto engatinhando no terreno da política.
Contra JK, concorreram o Marechal Távora e Plínio Salgado. Horas a fio, à noite, até o resultado. JK deu um chocolate. Foram, se não me falha a memória, mais de milhões de votos.
Comecei a admirar JK desde aquela época. À medida de crescia, fui me enfronhando na política com a leitura diária que pai fazia a meu lado, folheando o Correio da Manhã. Devido às justas loas que pai tecia ao ESTADISTA, mais e mais me interessava, alimentando meu crescente interesse pelos feitos de nosso maior politico.
A tudo perguntava sobre e pai me explicava, tim por tim. Ele curtia o meu interesse precoce e até se orgulhava do moleque curioso e interessado.
Com ele aprendi a ler aos 5 anos. Perguntava que letra era aquela, essa e mais aquela... Assim fui dominando o bê a bá. Pouco tempo depois, ainda longe dos 6 anos, já lia de carreirinha, para espanto da comunidade Oliveira Fortense. Pai babava de satisfação.
Eu corria para a estação ferroviária para pegar o nosso Correio da Manhã, chispava pra nossa casa (ao lado) para que eu e pai cumpríssemos a rotina lendo as notícias do ontem na Capital (o jornal chegava com um dia de atraso, trazido pelo Rápido - imponente composição mista (passageiros e cargas) no trajeto Rio-Salvador. Santos Dumont fica no trecho e apenas a 290 kms do Rio.
Toda esta introdução - do deslumbramento com JK até as decepções subsequentes:
João Goulart - o presidente comunista-sindicalista caiu como fruto podre que era.
Jânio Quadros - o tresloucado que blefou e se ferrou. O primeiro salvador da pátria e a primeira decepção nacional. A vassoura passou o rodo nas esperanças de ética e moralidade.
Após os presidentes militares e a decolagem do Brasil. A economia arrancou de quinta. Violência próxima de zero, muita segurança e total tranquilidade para ir e vir. Circulava-se pelas grandes cidades em paz e segurança.
Alguns erros imperdoáveis, tais como torturas e mortes desnecessárias, visto que as células comunistas justamente combatidas não tinham a menor chance de derrubar o regime.
Tancredo Neves - político habilíssimo - morre no dia de sua posse e frusta as esperanças em uma nova democracia.
José Sarney e os planos econômicos mirabolantes; o auge do fisiologismo, da inflação e da troca de favores e interesses.
Fernando Collor - a arrogância personificada, o despreparo e a imaturidade. Tomou o pé na bunda mais por sua falta de diálogo com os políticos do que pelo escândalo deflagrado por seu irmão Pedro.
ITAMAR FRANCO - Talvez o mais honesto e honrado Presidente da República. Um estadista que em pouco mais de dois anos mudou para melhor a história do patropi.
FHC e um período de relativa tranquilidade social e a implantação do bem sucedido Plano Real.
FHC não tinha cacife político e nem carisma para voar mais alto. Chegaria, no máximo, a Governador de São Paulo. Itamar nomeou-o Chanceler, após Ministro da Economia. Como FHC não entendia "chongas" da matéria, teve o bom censo de reunir uma plêiade de economistas, o plano gestado e, muito importante, sustentado por Itamar Franco, peitando os interesses dos poderosos que ganhavam rios de dinheiro com a inflação galopante.
lula e dilma (as minúsculas são intencionais e proporcionais). Página negra a ser arrancada, por óbvio, da história política nacional.
Temer - Apesar do fisiologismo escrachado, manobras e acordos e escusos, teve o mérito de começar a colocar a economia nos eixos. A história o jugará como oportunista ou estadista. Nesta hipótese, teria pago o preço de uma impopularidade maior do que a de dilma, decretando a sua morte política, possivelmente sacrificada para arrumar a casa.
Bolsonaro - Nova esperança de um país sério, próspero e saneado. Deus permita que não seja um novo Jânio ou Collor.
A esperança, segundo consta, é a última que morre. Acontece que a nossa já vestiu o pijama de madeira por duas vezes.
O Brasil não suportará outro luto, Presidente Bolsonaro.
Honrar as suas promessas de campanha é o quanto basta. Tá ok?

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