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03/03/2016

Tô de saco cheio de comentar política. Mas não tem jeito. A cada dia um escândalo novo. Só que desta vez é um escândalhão - o pai de todos os escândalos.
Assim, como não tenho mais idade para ir para a rua e botar pra quebrar, resta-me a pena com a qual esperneio, desabafo e protesto.
A bomba de hoje abalou Brasília. A revista "Isto É" divulgou as acusações de Delcídio do Amaral contra Dilma e Lula. Parece que desta vez ficou patente o envolvimento da dupla na bandalheira geral e irrestrita que assola o país.
A monótona rotina de escãndalos foi sacudida pela grandeza do episódio.
Numa analogia com o ocorrido, é como se um caminhão basculante, trucado, descarregasse à portas dos tribunais milhares de processos, e apensos a cada um deles as respectivas provas materiais.
O petrolão e o mensalão, por si só são materialidades descomunais. São tão evidentes quanto o pão de açúcar e o corcovado.
Aí vem a parte que me choca. Todos os canais de televisão, todas as rádio, jornais e revistas, todos os dias, fazem comentários, convidam especialistas e se debruçam sobre o quadro político e as suas repercussões na economia e na sociedade como um todo.
Debatem, argumentam, opinam, mas nenhum desses veículos têm a coragem de tocar o dedo na ferida e dizer com todas as letras: O BRASIL ESTÁ NAS MÃOS DE UMA QUADRILHA. LULA É O CHEFE, DILMA A GERENTE E A MAIORIA DOS CONGRESSISTA NÃO PASSAM DE MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO.
Tolice, dirão muitos. Ninguém se atreveria, e se tivesse topete para tanto, correria o risco de perde a sua valiosa concessão.
Digamos que eu ou outro veículo botasse a boca no trombone e abrisse o seu jornal com a chamada que destaquei acima. Duvido que o governo teria peito para fechar um canal de televisão, uma revista, jornal ou tirasse uma rádio do ar. O risco maior seria para o governo. Imaginem a repercussão de uma medida de força desta magnitude na sociedade e na imprensa internacional? Seríamos comparados à Venezuela, à Coréia do Norte ou a qualquer outra ditadura que a muito perdeu o pudor de agir com truculência. O custo político seria desastroso e os olhos do mundo se voltariam para a nossa maltratada república das bananas (voltamos a fazer jus ao rótulo depreciativo de algumas décadas atrás).
Resumo do samba: a mesma imprensa que denuncia e acusa não se compromete com a verdade nua e crua dos fatos. Falta-lhe coragem e o desapego a faturamentos. Tangencia, contorna e não aperta o gatilho da arma apontada para a cabeça da fera. Está chegando a hora do tiro de misericórdia. A fera está ferida e precisa ser abatida antes que, no desespero, dê o bote fatal e nos devore.
Falta acender o estopim e quem pode fazer isto é a imprensa. Quando o rastilho se dirigir para o barril de pólvora, o cheiro da fumaça e o pânico acordarão os quartéis - a única força capaz de escorraçar a corja, metê-los na cadeia e jogar a chave fora. Pelo menos até que a casa seja arrumada, o lixo posto na rua e as eleições marcadas para daí a um ou dois anos.
Ou será que você acredita que o impeachment possa resolver o caos? Saí Dilma e entrar o Temer, Cunha ou Renan. Sem comentário. Ninguém merece.

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