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09/08/2015

Willie Nelson's official music video for 'Always On My Mind'. Click to listen to Willie Nelson on Spotify:http://smarturl.it/WNSpot?IQid=WNOMM As featured 
PENA QUE ESTA AVE SEJA DE RAPINA.



2 min · 
Mais cedo postei Francisco com uma brasileira e ambos riam muito. O bom humor do Papa é uma de suas marcas registradas e, sendo ele quem é, desmitificou a fleuma de muito de seus antecessores. Sou do tempo de um Pio XII solene, quase imperial. Depois o iluminado João XXIII que, apesar de seu jeito bonachão, revolucionou a Igreja, atualizando os ritos, abandonando o latim e simplificando o entendimentos das sagradas escrituras. Paulo VI foi um meio termo, bem mais leve do que Pio XII e menos reformador do que João XXIII. João Paulo I foi um santo que ousou enfrentar a cúria conservadora. Após 33 dias de papado, morreu em circunstâncias ainda hoje envoltas em mistério. joão Paulo II virou santo, andou por todos os cantos deste mundo de Deus como um São Paulo moderno. E ainda que o seu longo papado tivesse o dobro da duração, nem de longe alcançou a santidade de seu antecessor. João Paulo I foi como uma viagem ao passado da igreja primitiva, despojada e simples como os ensinamentos de Cristo. A igreja perdeu a pompa e de certa forma voltaria às catacumbas, despida de luxo, riquezas e ostentações.
Grandes Papas e outros bem menores, mas nenhum tão bem-humorado quanto Francisco.
Acredito que alegria e bom humor tem tudo a ver com amor. Em uma alma ou coração alegres, tudo que é bom viceja e solo é infértil para o mal. O mal é triste, macambuzio, solerte, insidioso, dissimulado.
Deus que me perdoe, mas acho que Ele é pura alegria e bom humor. O Deus do Antigo Testamento e da Idade Média me dá calafrios. Esta visão terrível da divindade certamente foi invenção do homem para inocular medo e terror, calando questionamentos ao mesmo tempo em que amealhava, sem resistências, riquezas e poder para a Igreja.
Se o juízo final acontecer um dia desses, creio que Deus dará o ar de Sua Graça com a fisionomia de Francisco. Tomara que não seja o dia da separação do joio do trigo e que a aparição do Pai seja apenas para dar um toque nesta humanidade sem noção.
Será que todos nós tivemos a cara de Francisco na época da Criação? Com o passar do tempo e após zilhões de pecados, fomos nos desfigurando e cada dia mais feios
Muiiiiiiiito bommmmmmm !
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Lindo demais!!!
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Definitivamente, um dos vídeos musicais mais encantadores que já tive o prazer de assistir nos últimos tempos.
Realmente, deixa qualquer um feliz, de bem com a ...
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Huehuehuehehueuue Papa mito

08/08/2015

Hoje é dia dos pais. É nosso dia, pais do Brasil. Dia de ganhar pente, gravata de papel, se nossas crianças ainda estão no pré-primário. Ou então dia de ganhar gravata de verdade, perfume, camisa ou CD, se os nossos filhos já estão crescidinhos. 
Confesso que sempre tive inveja do dia das mães. Isto sim é um dia comemorativo. Com direito a missa nos colégios, banda de música e fanfarra, poesias, eletrodomésticos de última geração, almoço nos melhores restaurantes e outros mimos comprados nos melhores shopping-centers.
Sei muito bem que mãe é uma só e que pai pode ser um ou outro. Tudo bem...mas ainda assim acho que o nosso dia merecia um pouco mais de cerimônia. Não tanto quanto o dia das mães, admito. Afinal, mãe é mãe, como disse o filósofo Jô Soares.
Estamos sempre em desvantagem. Mas se Deus fez assim, deve ter lá os seus motivos. Entre eles, um é por demais evidente: a mulher é a viga mestra da família. Deus não comete erros, mas no momento em que expulsou Adão e Eva do paraíso ou permitiu que o macaco descesse da árvore e caminhasse ereto, Ele soube que a criatura ficou, digamos, meio fora de controle tendendo para uma promiscuidade imemorial. Esta tendência para olhar comprido para a mulher do vizinho pode ter sido, eu diria, uma espécie de vacilo do controle de qualidade na evolução da espécie, agora entregue à natureza e portanto sem os rigores e a perfeição da obra divina.
Acho que há lógica nesta minha conjectura. Fico imaginando se a mulher fosse promiscua e o homem comportado. Neste caso, a população do mundo já teria ultrapassado 50 bilhões de almas. A natureza é sábia e conteve a libido da mulher e caprichou na ternura. Melhor a cabra presa e o bode solto. 
Perdemos para o natal, para o dia das mães; perdemos até para o coelhinho da páscoa e para o dia dos namorados. Os caixas das lojas confirmam este ranking sem jeito e nós somos os lanterninhas do faturamento.
Ainda assim ser pai é uma maravilha.
Nosso colo não tem o aconchego do colinho de mãe. Não amamentamos e o nosso carinho não tem aquela suavidade que dá sono e muitas vezes dispensa a canção de ninar. A musiquinha, às vezes, chega a ser uma redundância. 
A gestação nos humilha por 42 semanas e a nossa participação fica reduzida a um verbete de uma enciclopédia.
Amamos nossos filhos de uma maneira diferente mas nem por isso menos importante na formação de homens e mulheres de caráter. Muitos de nós deixamos de herança apenas o legado de uma vida reta, digna, exemplar. E se nossos filhos crescem praticando virtudes que aprenderam conosco, então a paternidade se aproxima da maternidade. O que fica é o exemplo. Discurso moralista e oba-oba são palavras ao vento e nunca educaram ninguém.
Somos pais e é bom dizer isto de boca cheia. E apesar das desvantagens em relação às mães, esperamos, de fato, apenas o amor de nossos filhos. Carinho, sempre, e gratidão, se merecermos.
Almocem com a gente. Batam um fio, passem mensagens, "zapzap" ou equivalentes. Abracem-nos com ternura - é o quanto basta para derreter nossos corações de manteiga.
Somos mães masculinizadas que escondem o choro para preservar a nossa imagem de super-heróis. Como antigamente.
TRISTEMENTE
Hoje uma tristeza enorme veio pra ficar
E em meus ombros pesa como a cruz
Que pretensioso eu escolhi e que supus
Por uma vida fosse capaz de suportar.


Caí novamente sob o peso da trave
E a minha via crucis ninguém percebeu,
Nenhum lenço que à minha dor grave
ou enxugue o pranto que me escorreu.

Errante pela vida, em meu caminho vago,
Procuro luz mas o meu olhar é cego
e tropeço na amargura que eu trago

Bem escondida atrás do meu sorriso
Cheio da tristeza que eu sempre nego,
Pendurada em pescoço como um guiso.

9 h · 
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07/08/2015

8% e caindo. Ainda assim, acompanhada de seu criador, tem o desplante de aparecer em horário nobre, em rede nacional, fazendo propaganda do seu desgoverno. 
Puro cinismo ou fundamentalismo ideológico? 
Senti calafrios, mesmo com o áudio desligado.

05/08/2015

Reeditando

TERCEIRA IDADE

Tudo vai bem até os cinquenta
Depois a coisa muda e de repente
Morro de saudade dos quarenta
quando eu era são completamente
A pressão sobe e a Losartana
Combinada com o Anlodipino
Segura a onda que me engana
Fingindo maré baixa em mar ladino
Em meu socorro vem a Sinvastatina
A droga da dieta e sabores suprimidos
Contra o colesterol que quer minha ruína
Acode-me então o heroico receituário
Eterno defensor dos frascos e comprimidos
Dando uma solene banana pro obituário
Tive um sonho estranho, mas muito bonito. Lula muito sério, de frente e de perfil, com uma plaquinha no peito, na frente de um régua para medir altura. Depois ele sentou-se em uma mesa e com todos os 9 dedinhos começou a tocar em um papel quadriculado como se este fosse um piano. Esquisito!...
Acordei puto da vida.
Recebi propaganda de um concessionário Mercedes Benz aqui de Belô. Se eles não erraram o endereço ou o destinatário, aceito delação premiada.

04/08/2015

Trovinha reveladora
Quequeílson, Sibá, bela desculpa pra sair do armário.
Segura a tua onda, meu garoto, olha a compostura.
Confessa teus rolos pro Moro no confessionário
e a tua penitência será a tão sonhada cana dura.
Pout-pourri- Tudo de mim - Maria Helena - Que queres tu de mim - Sentimental demais
YOUTUBE.COM
A MPB está agonizando. Depois das ondas podre Funk e Rap, veio para ficar o Sertanejo que, não bastasse baixar o nível, agora involuiu para o Sertanejo universitário.
Sertanejo universitário?!...No meu tempo de universitário, justamente por sermos universitários, surfávamos na onda da excelente MPB. Era uma questão de coerência porque ao frequentarmos o 3○ grau, nosso padrão de exigência também subia 1 grau.
Uma tsuname de merda surpreendeu nossos excelentes compositores na praia da criatividade. O silêncio e o mal cheiro imperam. Cadê eles? Parece que não sobreviveram ao ímpeto avassalador da onda de detritos musicais.
Antes que me apedrejem, quero deixar claro que não tenho preconceito com nenhuma tendência musical. Existem belas composições em todos gêneros. Em alguns, no entanto, é preciso garimpar para, com muita sorte, achar uma pepita sonora.
No funk, rap, eletrônica e sertaneja, entre outros propositalmente omitidos, a indigência fica patente ao abrimos as partituras para encontrar uma estrutura musical mais nula do que a D. Marisa, ex-primeira dama. É um deserto de harmonias, arranjos, sonoridades.
No funk e no rap ouso um bate-estaca marcando o ritmo para meia dúzia de notas. Na eletrônica, guinchos metálicos, estridências, ruídos e poluições sonoras repetitivas às quais só me submeto sob tortura.
Na sertaneja pura ou misturada com universitários por correspondência, o mundo se resume a amores clandestinos, traições, idas e voltas, muito sexo, bebedeiras e sentimentos com a profundidade de um pires e que duram no máximo um dia de rodeio americanizado.
Minha geração cresceu ouvindo o samba de Ary Barroso, Zé Keti, Cartola, Braguinha, Noel e outros tantos gênios da musicalidade.
Tive a sorte de ver o nascimento da Bossa Nova bem no meio dos anos dourados. Vinícius, Tom, Francis Hime, Menescal. Depois, outra revolução, quando a nossa música popular atingiu altíssimos níveis e adotou o apelido de MPB.
MPB virou um selo ISO 9000, 14000, atestando a qualidade de obras assinadas por Chico Buarque, Caetano, Ivan Lins, Paulo César Pinheiro, Sá e Guarabira, João Bosco e outros tantos mestres da sonoridade e de letras de encabular poetas.
Assim como um rocambole musical, entre estas fases de ouro, muita qualidade através do samba-canção, Jovem Guarda, Tropicália. Dolores Duran, Roberto e Erasmo, Caetano e Gil.
Sou reacionário, conservador, intransigente? Serei? Sou um saudosista empedernido imune à evolução dos tempos e das novas tendências?
Omiti os grandes mestres da música clássica por uma questão de respeito às suas memórias. Neste contexto de indigência musical, citá-los seria como recitar Camões, Fernando Pessoa, Dante, Vinícius, Drummond, Mário Quintana e Neruda para uma turma do ensino fundamental.
Aceito ser taxado de velho caquético e de múmia paralítica. Aceito a pecha de ultrapassado e intransigente. Aceito ser enterrado na cova dos grandes músicos de todos os tempos. Tomara que eles aceitem a minha companhia inexpressiva. Lá, vou me juntar às ossadas a chacoalhar desesperadas, em protesto contra os despautérios musicais "modernos".
AMANDA PIRES BATISTA, amiga de Jhú Stangherlin
Acho uma pena esse saudosismo excludente, que não enxerga ou se recusa a enxergar que tendemos a endeusar o que não nos é contemporâneo. O samba e a bossa nova, por exemplo, eram ritmos marginais quando surgiram com novos arranjos e uma proposta totalmente nova. O rap e o funk tem suas especificidades que somos livres para nos identificarmos ou não, mas são dotados de significado, identidade e cultura, tal qual outros ritmos. A cultura marginal, aquela vinda do povo pobre e preto, desde o samba até o funk, tem em comum sua origem rodeada de preconceito e, em seguida, vira bem de consumo do capital. Uma pena esse tipo de texto.
DIALOGANDO COM AMANDA:
Não se trata de saudosismo excludente, Amanda. O samba realmente foi marginal no início do século XX, mas COM MUITA QUALIDADE. o samba foi uma evolução do "lundu" criando a identidade musical do morro. A bossa nova causou estranheza diante do império do samba-canção, mas nunca foi marginalizada. A sua altíssima qualidade melódica, arranjos inovadores e dissonâncias audazes foram imediatamente reconhecidos. Criou-se um novo padrão para a MPB. Foi tão fantástica que de cara conquistou o mundo, a partir dos Estados Unidos, logo após o célebre encontro de Frank Sinatra com Tom Jobim.
O funk e o rap de fato traduzem a triste realidade das periferias. Neste quadro de desigualdade e violência, de fato ambos criaram uma linguagem inovadora que bem traduz a difícil vida nas comunidades. O que eu critico é a indigência musical, a repetição maçante de umas poucas notas e a pobreza de uma marcação de ritmo que causa arrepios em um mestre de bateria. Tudo bem que ambos são canais de expressão dos excluídos. Só não precisam ser medíocres e mediocridade, no caso, é um eufemismo. Não sou preconceituoso. Tenho muito orgulho do sangue negro em minhas veias. Meu beiço entrega a minha origem e como todos os brasileiros tenho o pé na senzala. Sou casado com uma mulata legítima (pai negro e mãe branca, loura e de olhos azuis).
Hoje em dia o "politicamente correto" expõe ao apedrejamento qualquer opinião que fale algumas verdades ou contrarie os interesses das minorias. Quanto ao fato do funk e rap virarem bem de consumo, isto não quer dizer que um e outro foram uma alternativa de qualidade para o mercado consumidor. Assim como a programação de TV vem descendo ladeira abaixo, desde os anos 90, o povo se serve do que está disponível e se contenta com o que há para consumir. E tome Faustão, Gugu, João Kleber.
Estranhei você não se indignar com o meu protesto contra o sertanejo puro ou "universitário" - num traçado pior do que o "rabo de galo". Estes são piores do que o funk e o rap porque não têm o menor vínculo com a nossa realidade caipira. Ambos são um arremedo da música country, com o agravante de fazerem de nossos homens do campo cópias caricatas de cowboys ianques. Onde é que você viu nossos jecas com chapéus texanos, fivelas de cinto parecendo cinturões de campeão de box, botas tipo carro alegórico? Cadê Milionário e Zé Rico, Cascatinha e Inhuma, Pena Branca e Xavantinho? Cadê a verdadeira música caipira?
Fico mais triste ainda, Amanda, ao ver o nosso rock de pires na mão preterido pelo rap, funk e sertanejo. Cadê as nossas grandes bandas? E mais: cadê Chico, Caetano e outras feras? Há um vácuo escuro e frio e eu me sinto perdido no espaço cultural. Sou obrigado a espernear e não vislumbro outras tendências musicais às quais possa atribuir culpa.
A música é gestada na partitura. Convenhamos que nesta maternidade os ritmos citados estão nas incubadoras, lutando para sobreviver por apresentarem carência congênita de sonoridade, harmonia e arranjos. Se as músicas de qualidade são tratados sobre uma arte divina, o rapo, o funk e o sertanejo estão mais para cartilhas onde o vovô e Ivo viram a uva mas acham que ela está podre, porque alta demais.
Finalizando, fico feliz ao constatar que você é uma moça muito inteligente. Tem conteúdo, escreve bem e expõe suas idéias com clareza e objetividade. Divergências à parte, foi um prazer polemizar com você.

03/08/2015

Trovinha do sapo safo
Zé vai ver de novo o sol nascer quadrado
e o seu chefe nenhuma palha moveu.
Bem que o Valério já tinha lhe avisado
que ele tira o seu reta e deixa o teu.
José Dirceu é preso na 17ª fase da Operação Lava Jato
Frank Sinatra no início da carreira, acompanhado de excelente vocal.
"Stardust" is an American popular song composed in 1927 by Hoagy Carmichael with lyrics added in...
Tá dureza ser brasileiro. A política dá náuseas. A economia desce a ladeira e a inflação sobe a própria. A MPB está no CTI. A moral e a ética estão se achando demodée. Ser honesto não faz boa figura. Furtar salsicha dá cana. Milhões, não. Técnico de futebol é professor. Professor é tio. Dimenor é vaca sagrada. Dimaior vai pro brejo. Brasília é um esgoto a céu aberto. Bala perdida não se perde mais. A justiça é uma tartaruga tetraplégica. Juízes dobram os seus salários e recebem auxílio-moradia para morar na própria casa. Licitação é mutreta. Mutreta é a regra, lisura exceção. Os juros estão perto da órbita de Plutão. Tudo mundo se ferra, menos os bancos. A crise virou sinônimo de calamidade. O Real está irreal. 39 ministérios 27 Estados de calamidade 5513 Municípios precipícios. CBF mequetrefe. Marin marinando, de molho em xilindró suiço. SUS é um PUS.
Dá para parar o Brasil?
Quero descer antes que ele embale.
Trovinha esforçada
Pra entender as metas da presidanta
vou precisar de muita metanfetamina
Só em alfa e cantando um mantra
faz sentido o que sai desta latrina
Hai Kai


Viver é a
ilusão
de existir

01/08/2015

Fui...
Comentário
A MPB está agonizando. Depois das ondas podre Funk e Rap, veio para ficar o Sertanejo que, não bastasse baixar o nível, agora involuiu para o Sertanejo universitário.
Sertanejo universitário?!...No meu tempo de universitário, justamente por sermos universitários, surfávamos na onda da excelente MPB. Era uma questão de coerência porque ao frequentarmos o 3○ grau, nosso padrão de exigência também subia 1 grau.
Uma tsuname de merda surpreendeu nossos excelentes compositores na praia da criatividade. O silêncio e o mal cheiro imperam. Cadê eles? Parece que não sobreviveram ao ímpeto avassalador da onda de detritos musicais.
Antes que me apedrejem, quero deixar claro que não tenho preconceito com nenhuma tendência musical. Existem belas composições em todos gêneros. Em alguns, no entanto, é preciso garimpar para, com muita sorte, achar uma pepita sonora.
No funk, rap, eletrônica e sertaneja, entre outros propositalmente omitidos, a indigência fica patente ao abrimos as partituras para encontrar uma estrutura musical mais nula do que a D. Marisa, ex-primeira dama. É um deserto de harmonias, arranjos, sonoridades.
No funk e no rap ouso um bate-estaca marcando o ritmo para meia dúzia de notas. Na eletrônica, guinchos metálicos, estridências, ruídos e poluições sonoras repetitivas às quais só me submeto sob tortura.
Na sertaneja pura ou misturada com universitários por correspondência, o mundo se resume a amores clandestinos, traições, idas e voltas, muito sexo, bebedeiras e sentimentos com a profundidade de um pires e que duram no máximo um dia de rodeio americanizado.
Minha geração cresceu ouvindo o samba de Ary Barroso, Zé Keti, Cartola, Braguinha, Noel e outros tantos gênios da musicalidade.
Tive a sorte de ver o nascimento da Bossa Nova bem no meio dos anos dourados. Vinícius, Tom, Francis Hime, Menescal. Depois, outra revolução, quando a nossa música popular atingiu altíssimos níveis e adotou o apelido de MPB.
MPB virou um selo ISO 9000, 14000, atestando a qualidade de obras assinadas por Chico Buarque, Caetano, Ivan Lins, Paulo César Pinheiro, Sá e Guarabira, João Bosco e outros tantos mestres da sonoridade e de letras de encabular poetas.
Assim como um rocambole musical, entre estas fases de ouro, muita qualidade através do samba-canção, Jovem Guarda, Tropicália. Dolores Duran, Roberto e Erasmo, Caetano e Gil.
Sou reacionário, conservador, intransigente? Serei? Sou um saudosista empedernido imune à evolução dos tempos e das novas tendências?
Omiti os grandes mestres da música clássica por uma questão de respeito às suas memórias. Neste contexto de indigência musical, citá-los seria como recitar Camões, Fernando Pessoa, Dante, Vinícius, Drummond, Mário Quintana e Neruda para uma turma do ensino fundamental.
Aceito ser taxado de velho caquético e de múmia paralítica. Aceito a pecha de ultrapassado e intransigente. Aceito ser enterrado na cova dos grandes músicos de todos os tempos. Tomara que eles aceitem a minha companhia inexpressiva. Lá, vou me juntar às ossadas a chacoalhar desesperadas, em protesto contra os despautérios musicais "modernos".