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28/02/2017

ENTENDIMENTO


Ainda que eu viva mil anos
e a flor do lácio desabroche,
ainda que a dama da noite me embriague,
jamais vou cantar em prosa ou verso
o olhar que me entorpece ternamente.



Ainda que eu morra e desvende
os mistérios proibidos,
nunca vou saber o que se passa
quando você me envolve
e me devora
feroz e primitiva.
Gosto de saliva:
demônio, feromônio,
faro, trilha de desejo.


Então me calo e observo,
tento entender
a lança que transpassa
mas não sangra;
tempestade e angra,
selvagem calmaria.


Dor que rasga
e a si mesma sutura.
Febre terçã,
frio e abrasamento.
Contentamento,
alucinação.


Alcaçuz calmante,
droga alucinante;
ardida pimenta
ou bala de anis.


Entre tantos sabores,
sensações e calafrios,
olho de novo os teus olhos,
abro mão do entendimento,
me rendo e adormeço em paz.

 

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