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14/04/2016

PITACANDO
Estava assistindo a sessão do STF relativa ao procedimento a ser adotado na votação do impeachment do presidanta Dilma.
? Começa no região sul e vai para o norte, ou, ao contrário, começa no norte e desce para as regiões ao sul? Chamada por ordem alfabética? Prevaleça sul-norte ou norte-sul, alternam-se votos individuais, deputado a deputado, ou votam todos os deputados de cada estado, até que a região toda tenha votado?
O STF decidiu que a votação será feita do norte para o sul alternadamente. Mais não acompanhei. Muito chato.
Ao desligar a TV, fiquei com complexo de inferioridade. Me dei conta que continuamos no terceiro mundo, bem periferia do mundo civilizado.
Como é que uma questiúncula como esta vai parar no STF? Que diferença faz votar de cima para baixo, de baixo para cima ou por ordem alfabética? Que a câmara e o seu regimento interno definissem o procedimento.
É claro que isto foi mais uma manobra do PT ou do PC do B(não sei qual deles impetrou a ação direta no supremo) para ganhar tempo e atrasar o início da votação do impeachment. Mas isto não vem ao caso e é um caso à parte: desespero com a iminência da derrota e o consequente pé na bunda da dona Dilma.
A suprema corte americana julga no máximo 100 ações por ano. Agora começo a entender os zilhões de processos entulhando os armários do STF. Qualquer litígio-abobrinha pode chegar ao egrégio tribunal desde que haja suspeição de inconstitucionalidade. De certo modo, até que faz sentido. Como o Brasil é uma zona, a inconstitucionalidade parece implícita no dia a dia de desrespeito à Lei Maior.
Como sou atento a detalhes, percebi que o ministro Gilmar Mendes toma um gole d'água a cada frase. Logo o seu copo se esvaziou. Eis que aparece um garçom ou copeiro trazendo aguinha fresca para o ministro. E o detalhe?...o detalhe é que o garçom/copeiro trajava uma mini-toga. O quê...mini-toga?! Isto mesmo, você leu direito.
Como um raciocínio leva a outro, fiquei imaginando quanto ganha este copeiro de toga mini-saia? No mínimo algo em torno de uns 10 mil reais. Absurdo? Pois não é. Tem garçom que aufere (ganhar é coisa de pobre) 16 mil na câmara e no senado. Indo mais adiante, se o cidadão trabalha no supremo e tem a ventura de poder circular no plenário durante as sessões, imagino que tenha direito, dada a solenidade do ambiente, a usar uma toga com o comprimento compatível com o seu grau hierárquico. Nunca vi, mas suponho que haja toga mini e toga maxi. As tipo Batman só para os excelentíssimos ministro, naturalmente.
Aí volto ao meu complexo de terceiro-mundista. Só mesmo em uma república das bananas como a nossa garçons de tribunais superiores servem água e cafezinho de toguinha. E o salário...ó, um despautério.
Se houver garçons na suprema corte americana, aposto que são quase invisíveis e circulam durante as sessões com um discrição de dar inveja em um monge tibetano. E certamente não auferem salários de presidente da república.
Passados mais de 50 anos, De Gaulle continua com a razão: O Brasil não é um país sério.
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